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.: VELA ADAPTADA
por Eduardo Pires, 27/01/2009

Todos os esportes náuticos são muito saudáveis, e trazem grandes benefícios para quem pratica. No caso do barco a vela, exercitamos nosso raciocínio rápido, nossa destreza e nossa sensibilidade. Quando velejamos, nos concentramos no vento, na água e nas condições do tempo, ficamos conectados direto com a natureza, percebemos a beleza e perfeição do Universo, e nos tornamos defensores do nosso querido planeta Terra.
Por isto, considero o esporte da vela um esporte nobre, um esporte inteligente, e decidi dedicar minha vida profissional totalmente voltada para o Iatismo.

Após muitos anos de trabalho como instrutor de vela, para crianças, adultos e recém chegado de uma viajem de 10 meses pelo Oceano Pacífico, recebi uma proposta de trabalho inusitada e irrecusável. Ensinar um grupo de atletas com deficiência física a velejar e prepará-los para competições nacionais e quem sabe, até descobrir novos talentos, para reforçar nossa equipe de vela Brasileira nas Paraolimpíadas.

Mais uma vez fica provado que nada é por acaso e as coisas fluem naturalmente, quando você está no momento e lugar certo e se propõe a realizar uma ação, com motivo nobre. É o que está acontecendo com este nosso trabalho.

Como sou Diretor de Vela da Federação de Vela do Estado de Santa Catarina, logo que cheguei da viagem fui a sede da FEVESC e recebi esta proposta do amigo e presidente desta Federação Samuel Linhares, que me disse; “ Pirão, quero desenvolver um centro de Vela Adaptada aqui em Santa Catarina e você é a pessoa certa para ensinar nossos novos atletas a velejar. Já conversei com Walcles Osório, presidente da CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE VELA ADAPTADA, que nos dará todo o apoio e irá nos enviar em breve, dois veleiros semelhantes aos usados nas Paraolimpíadas. Também já fiz contato com Ramiro Franchini, Diretor de esportes da AFLODEF, Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos, que já está selecionando os atletas para formar nossa equipe”.

Aceitei este novo desafio e marcamos reunião imediata com Ramiro.

Resumindo: quando me encontrei com Ramiro, nova surpresa...Ramiro já era amigo de muitos anos, quando em 1996 apresentei um programa na TV Barriga Verde, produzido pela FREE PRODUÇÕES que por acaso...Ramiro era sócio desta empresa.

Fizemos contato então com Renato Valentim, vice presidente da CBVA, e coordenador do centro de Vela adaptada em São Paulo, na represa de Guarapiranga, que nos deu orientações para conduzirmos nosso trabalho, já nos convidando para participarmos de uma Clínica de Vela adaptada, junto com todos atletas desta modalidade no Brasil, na semana do carnaval, e também para o próximo Campeonato Brasileiro, que será realizado nesta represa durante o feriado de Páscoa. E que precisávamos definir nosso grupo de atletas, para que sua esposa Berenice Chiarello, encarregada de fazer a análize pessoal de cada atleta para a Classificação Funcional de cada atleta.
Por coincidência, Berenice estava passando uns dias de férias em na praia de Bombinhas, próximo de Florianópolis e prontamente passou uma tarde inteira com nosso grupo. As classificações já estão prontas e todos já possuem sua pontuação.

Para melhor entendimento, na Vela Adaptada existe um modelo de barco conduzido por três velejadores. Cada atleta recebe uma pontuação (que vai de 1 a 7), conforme sua deficiência. A soma dos pontos de cada um não podem exceder a 14 pontos.
Isto quer dizer, um atleta com pouca deficiência recebe pontuação alta e um com muita deficiência recebe pontuação baixa. Desta forma, é obrigatório que a tripulação tenha realmente atletas com bastante dificuldades de movimentos, para que a soma não ultrapasse o limite dos 14 pontos.

Berenice e Renato se tornaram nossos amigos e nos orientam sempre prontamente no que necessitamos.

Moral da história; agora estamos com um grupo de 10 atletas deficientes, todos entusiasmados em aprender para depois competir.
Iniciamos nossas aulas no inicio de janeiro, utilizando um barco da minha Escola de Vela Navs, localizada na MARINA VERDE MAR, na Lagoa da conceição, aqui em Florianópolis, onde podemos contar com boa estrutura e o super astral dos proprietários, Tadeu e Teresa.. Com um mês de trabalho, nosso grupo segue aprendendo rapidamente a arte de velejar. Nossas aulas práticas são divertidas, estamos nos tornando grandes amigos e cada um vai descobrindo sua melhor maneira de se posicionar no barco.

Tenho certeza que este trabalho terá sucesso e poderá servir de exemplo para  muita gente. Ao ver estes atletas superando suas dificuldades, participando do esporte com entusiasmo. Uma lição de vida, para aquelas pessoas que desistem fácil dos seus desafios ou ficam com medo de tentar ou ainda, com preguiça de ir a luta, mesmo tendo seu corpo inteiro sem deficiências.

Enfim, juntando os por acaso e os por coincidência, vamos formar nosso grupo de Vela Adaptada, com a participação de todas estas pessoas que estão no lugar e na hora certa .e chegaremos lá no Campeonato Brasileiro e quem sabe, numa próxima Paraolimpíada...tudo é possível. Nós acreditamos nisso.

 

Texto: Eduardo Pires “Pirão”
Instrutor e proprietário da Escola de Vela Navs

Florianópolis, 27 de janeiro de 2009.

 

 

 
 
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