parceiros:
 









 

 

 

 


 


NAVEGANDO DE ANGRA DOS REIS PARA FLORIPA

Partida: dia 7 de junho de 2006, Marina Bracuhy, Angra dos Reis, RJ.
Chegada: dia 10 de junho, Porto Belo, SC. Local provisório, devido a chegada do forte vento sul.
Distância: 400 milhas náuticas.
Tripulação: Angra / Ilha Bela, eu, Nei e Otávio.
Ilha Bela / Porto Belo, eu, Otávio e Ciro.
Porto Belo / Floripa , eu, Nei e Venso.
 
Pois é galera, pintou mais uma viajensinha.
Costumo convidar alunos formados na Escola de Vela Nav’s como tripulantes, na maioria destas viajens. Uma maneira de proporcionar experiências aos que se saíram bem nas aulas, e que demonstram interesse na vela de cruzeiro.
Desta vez convidei o Otávio Guazzelli, que aceitou prontamente. Otávio inclusive além de ser piloto de aviação comercial, recebeu a poucos dias sua habilitação de Mestre Amador, e nesta, já acrescentou 400 milhas náuticas no seu currículo. E o Nei, dono do barco, será nosso futuro aluno.

Já fazia alguns meses que não dava uma navegadinha em alto mar...estava com saudade de ver as estrelas brilhantes das noites em mar aberto.
Fui requisitado pelo Nei Bitencourt, novo proprietário do “Martinique 25” AQUA VIVA, que acabava de adquirir, e estava atracado na Marina Bracuhy, em Angra.
Acertamos os detalhes da viajem. O barco estava bem equipado, com boas velas, motor volvo penta diesel 18hp, GPS, piloto automático, material de segurança, salvatagem, bote inflável, duas ancoras, cabos, etc....enfim, tava com tudo encima.
Olhamos a previsão do tempo com cuidado, pois no domingo, quando fizemos nosso primeiro contato, o mar estava enorme. Na Joaquina quebravam ondas de 2,5 metros, e soprava vento sul. Mas durante a semana a previsão mostrava que o mar ia baixar, e na quarta-feira o vento virava para Nordeste, e sopraria até sábado, para em seguida entrar outro sul. Eram os três ou quatro dias que precisávamos para descer para Floripa com a ajuda da natureza.
Saímos de carro na terça fim de tarde, eu, o Nei, e seu primo Ciro, para chegar em Bracuhy, na quarta pelas 10h da manhã. Otávio foi de avião direto para o Rio na quarta de manhã cedo, e de pois desceu para Angra. Juntou-se a tripulação na quarta feira pelas 2 da tarde.
Preparamos o barco; concertamos o pau de spinnaker, a bomba elétrica de porão, verificamos o funcionamento de todas as luzes, os instrumentos, o motor, o fogão, e abastescemos com nossa alimentação, água e diesel.
O antigo proprietário do Aqua Viva, super gente fina, ficou com a gente até a hora da nossa partida. Nos ajudou na preparação do barco, e deu todo o apoio para que saíssemos já conhecendo os detalhes do barco.
Ótimo astral entre todos nós.
A Marina do Bracuhy é um lugar lindo, com água verde, muita natureza, muitos peixes nadando junto aos trapiches, com uns 300 veleiros atracados de vários tamanhos. Ótima estrutura náutica. Já levei para lá alguns desses barcos, em outras viajens. Assim como também já fui buscar algumas vezes barcos que estavam nesta marina. Gosto muito deste lugar.


( Pirão, Nei, Orival, e Ciro. Antes de partir, na marina Bracuhy)

Início da Viagem

Dei uma boa verificada na carta náutica de Angra dos Reis, antes de zarpar. E deixei traçado os primeiros rumos, para não ter que ficar dentro da cabine vendo os rumos, nesta região minada de ilhas e Lages, que necessitam muita atenção. Ainda mais a noite.
Escolhi um traçado onde poderiamos ter boas referências de visual, na hora de mudar os rumos, passando entre as ilhas, até alcançar águas abertas e seguras. Deu certo.
O vento era bem fraco, e com a vela mestra em cima, seguimos motorando.

Quando alcançamos a ponta da Joatinga, saindo da grande baía de Angra dos Reis,  agora em mar aberto, mudamos o rumo em direção a Ilha Bela, da qual chegaríamos pelo meio dia, após navegarmos a noite toda com vento de popa muito fraco que trazia um cheiro de diesel da descarga do motor, muito desagradável. Me arrependí em não ter tomado logo a decisão de abrir mão do bom rumo direto ao objetivo, por um rumo onde a brisa não jogasse o cheiro do motor para cima do barco. Mesmo tendo que fazer um trajeto um pouco mais longo, teria sido melhor. No meio da noite, depois de todos já estarem meio enjoados com aquele cheiro, mudamos o rumo, e aos poucos nos recuperamos daquele mau estar.

A noite estava linda. Muitas estrelas, e uma lua cheia iluminando as ondas, e quando sumiu no horizonte a oeste, parecia um por de sol.
Lá pelas tantas, conversando com a tripulação no convés, falei dos golfinhos. E foi incrível na mesma hora que falei deles, eles aparecem ! Muitos! Nadando ao lado e na proa do barco daquele jeito alegre. A água estava cheia de plânctons fazendo com que os golfinhos parecessem torpedos fosforescentes através da água escura.
Fui até a proa, deitei no convés e estiquei o braço até a minha mão quase tocar na água, na esperança de encostar em algum dos golfinhos. De repente pensei, será que eles não vai confundir minha mão com um peixe, e me dar uma mordida? Na dúvida, recolhi meu braço e desisti da idéia de acariciá-los. Acho que já estava forçando a amizade....rs...

Ilha Bela

 
( Cais Iate Clube de Ilha Bela, Pirão, Otávio e Ciro )

Chegamos por volta do meio dia. Fizemos uma parada rápida para completar o tanque de diesel, e comer um “prato feito” no restaurante “Cheiro verde” que fica próximo ao Iate Clube, é o lugar onde todos os velejadores batem um rango.
Logo na chegada, ao nos aproximarmos do Iate Clube, fiz contato com DELTA 24 (Iate Clube ) pelo rádio VHF no canal 68. Pedi permissão para uma atracagem rápida, de umas duas ou três horas. Como sempre fomos muito bem recebidos.
Primeiro encostamos no posto flutuante abastecemos o diesel, e compramos mais um saco de gelo. Logo após atracamos no cais do clube.
Após um belo banho quente, barba feita, nos reunimos para ir ao almoço.
Ciro já nos esperava com o carro do Nei. Após o almoço retornamos ao barco, onde Nei desembarcou dando lugar ao Ciro.
Agora seriam dois dias e duas noites até Porto Belo, Santa Catarina.

 
De Ilha Bela para Porto Belo

Partimos do cais do clube ás 3 da tarde, e agora tinha vento bom. Já saímos com as velas em cima e velejamos bem ao longo do canal com vento de popa armadas em asa de pomba.
Agora sim, pudemos curtir uma boa velejada. A noite o vento aumentou, e chegamos a surfar umas ondinhas a 9,5 nós, uma beleza!!!
Passamos no escuro da noite pelo Arquipélago das Ilhas Alcatrazes a mil por hora, vendo a silhueta escura das ilhas, bem próximo.


(Sol nascendo, Otávio no leme )


( Velejando armado em “asa de pomba”)

Durante a noite passada, após deixarmos o arquipélago das ilhas Alcatrazes a bombordo, tivemos uma alegre surpresa, um grande pássaro surgiu bem próximo ao barco, voando baixo deu duas voltas em torno do barco e pousou no convés, bem na nossa cara! Assim, tipo amiguinho pegando uma carona. Viajou conosco durante uma hora, e só levantou vôo quando fizemos uma manobra com as velas, onde a escota da vela de proa sacudiu bem próximo a ele. Um barato. Podemos observar o bicho bem de pertinho.
Conseguimos tirar uma bela foto do nosso carona.

Na próxima foto, aparece em primeiro plano a gaiuta de entrada do barco, com o Instrumento de navegação por satélite, GPS, que nos indicava nossa localização durante toda a viajem.

Na madrugada da segunda noite, entre Ilha Bela e Porto Belo, andávamos a umas 40 milhas distante da costa, já pelo través da Ilha do Mel, litoral do Paraná, quando levamos um tremendo susto. Eu estava dando um descanso dentro da cabine, relaxando, tentando dar uma dormidinha, quando de repente senti o barco mudar o rumo bruscamente, e as velas começaram a bater. Pulei da cama imediatamente, e subi ao convés. Ao botar a cara para fora avistei um enorme navio que passava veloz pelo nosso boreste, muito próximo de nosso barco! Otávio e Ciro no cockpit estavam de olhos arregalados, pois foram pegos de surpresa. O bote inflável que levávamos amarrado suspenso na popa, tapava a nossa visão do mar quando olhávamos para trás. Quando eles viram, o navio já nos alcançava, e com grande perigo de colisão.
Rapidamente liguei o motor, ao mesmo tempo que fizemos um jaibe relâmpago, trocando as velas de lado, já mudando nosso rumo uns 50 graus para bombordo, saindo do rumo de colisão. Por sorte deu certo, e o navio seguiu sua rota sem manobrar, como se nem tivesse notado nossa presença no meio da noite. Deu a impressão que navegavam no piloto automático, o piloto havia saído da cabine de comando para tomar um café, e o radar não acusou nossa proximidade...Um perigo! Essa foi por pouco!!!
Seguimos com mais atenção.
Durante o dia fizemos contato telefônico através do rádio VHF com o Nei, que seguia descendo a costa com seu carro, e com Valéria, esposa de Otávio, que nos passava as condições do tempo e a direção do vento em Florianópolis.
Estava prevista a chegada de uma frente fria, um forte vento sul, no sábado, ao final do dia.
O vento sul chegou mais cedo, por volta do meio dia, rodou para Leste, Sudeste, e finalmente Sul. Neste momento já estávamos mais próximo da costa, e já avistávamos as montanhas que separavam as baías de Itajaí e Camboriú. Decidimos então aterrar e atracar na marina de Porto Belo, deixar o barco lá durante a semana, e finalizar a viajem a Floripa ao final deste sul, quando o vento voltasse a soprar de Nordeste.
Grande decisão! Atracamos o barco as 4 da tarde, e o Nei já nos esperava com o carro para seguirmos a Floripa.

No meio da semana, quarta feira o vento virou para nordeste. Então fomos pegar o Aqua Viva em Porto Belo, eu, Nei e seu irmão Venso.
Finalizamos em alto estilo. Dia ensolarado e vento a favor. Navegamos de novo em asa de pomba, e mar tranqüilo.


( Chegando em Floripa, com Ilha Ratones ao fundo )

Deixamos o barco amarrado em uma poita em seu novo porto, Marina do Cid, em Sambaqui.
Fomos obrigados a comemorar a chegada, sentando em uma mesa a beira dágua num belo restaurante próximo a marina, e de onde podíamos ver o Aqua Viva boiando sereno em seu novo abrigo.
Cerveja bem gelada, camarão e lulas, completaram nossos brindes, enquanto nos divertíamos lembrando as cenas da viajem.

 

FIM

 

 

 
 
 

© www.navs.com.br